“Na proporção em que o capital se acumula, a situação dos trabalhadores, seja seu pagamento alto ou baixo, deve piorar... faz da acumulação da miséria uma condição necessária, correspondendo à acumulação da riqueza. Acumulação de riqueza em um polo é, portanto, ao mesmo tempo acumulação de miséria, do tormento do trabalho, da escravidão, ignorância, brutalização e degradação moral no polo oposto, isto é, no lado da classe que produz seu próprio produto como capital”.
Quem falou isso foi Thomas Piketty, economista. E olha que ele não é marxista. Isto impõe que o liberalismo econômico deve ser encerrado ou no mínimo freado fortemente, e contraposto por leis claras e fortes na defesa de um relacionamento humanamente digno trabalhador-capital, bem como com foco em ações de inclusão social. Ele não necessariamente prega o fim do capitalismo, mas sua regulamentação e o fim do desumano liberalismo econômico.
Como falou Adam Booth:
“É Piketty o novo Marx? Qualquer pessoa que tiver lido o último saberá que não... Onde Marx viu relações sociais – entre trabalhadores e empresários, proprietários de fábricas e aristocratas rurais – Piketty vê somente categorias sociais: riqueza e renda. A economia Marxista vive em um mundo onde as tendências íntimas do capitalismo estão camufladas por sua experiência na superfície. O mundo de Piketty é um mundo unicamente de dados históricos concretos. Então, as acusações de Marxismo suave estão completamente fora de lugar”.

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