Em minha juventude: Aflorar da decepção
Texto escrito em 15 de Setembro de 1979
O interessante neste texto é que ainda me vejo nele, apesar do termo “salvação” poder ter algum sentido místico. O tempo e a dinâmica do dia a dia me fizeram esquecer um pouco de como eu era naquela época, bem como ainda ingênuo quanto as autoridades do saber, não tinha ainda uma revolta crítica, onde esta revolta era com certeza muito natural da própria idade, mas mesmo assim já defendia uma posição ativa pela busca de uma dignidade humana e social, e contra toda repressão. Naquela época, via o social ainda de forma romântica, não percebendo como forte eram os preconceitos, e a opressão.
Segue aqui o texto em sua versão original:
No aflorar da decepção ideológica, vemo-nos voltados para a busca interminável da salvação. Salvação esta que nunca poderá ser total, pois a falta de caráter humano, honra e hombridade social, nos é marcante, e com as quais parecemos ser magneticamente opostos, nos impossibilita de obtê-la em totalidade.
A própria religião, foi transformada em fuga desta realidade, onde a falta de segurança, a exclusão e a miséria amedronta a todos, fazendo-nos buscar em conjunturas desconhecidas a tentativa de encontrar alguma salvação, se não aqui e no agora, quem sabe, vale o risco, no porvir.
O homem, por medo, vai aceitando qualquer teologia que ideologicamente apregoe alguma salvação que seja, mesmo que sem nenhuma comprovação. Esquecemo-nos que a referida salvação nunca estará ligada ao fato de pertencermos ao credo a, b ou c. A salvação, se existir, tem de ser o somatório de diversas tomadas de posição, onde a imposição e o medo nunca contarão. Esquecemo-nos também que enquanto o “nível” de vida do povão não melhorar, a fé transforma-se apenas e tão somente em uma fuga, por medo, mera esperança, ou por inação.
A salvação está, e sempre esteve, em nossas mãos, ou melhor, em nossas mentes. Porque não paramos para pensar, e partimos para medidas, não mais paliativas, porem reais, mas isto necessita de coragem e ousadia. O fato é que estas medidas viriam contra os interesses de uns poucos, mas que dominam as massas, que detêm os poderes político e econômico, seculares ou religiosos. Então...

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