Nosso viver.
Eterno caminhar.
Constante experimentar,
De novas realidades.
Nas trilhas do viver, caminhamos sem parar. Caminhar é necessário: é caminhar ou se perder na morte, não há alternativas. Mesmo enfermos ou de cama, enquanto vivos, mesmo que sofrendo, caminhamos. Experimentamos a cada instante presente a transformação de nosso pensar, de nosso sentir e de nosso viver. Viver é um eterno experimentar de novas realidades.
Somos únicos sendo parecidos, múltiplos sendo complexo, falíveis enquanto reais e fatais enquanto viventes. Caminhamos por bem ou por mal, caminhamos para o bem ou para o mal, nossa mente mergulha sempre em novas estradas, caminhos ou atalhos, caminha sempre em novas jornadas, algumas vezes constrói realidades virtuais que muitas vezes confundimos com a realidade do dia a dia. Entretanto este caminhar é uma jornada voltada unicamente para o presente que se descortina em novas realidades, é um caminho sem volta, não tem retorno, impossível desfazer o feito, “des-pensar” o pensado, remover o falado, apagar a ação que realizamos, impossível reviver qualquer pensamento, qualquer experiência, qualquer fazer, por mais idênticos que possam parecer, serão sempre, a cada instante, novos pensares, novos fazeres e novas experiências.
Esta é a maravilha do viver: conhecemos, pelo menos em parte, o passado, e acreditamos conhecer o presente, mas por mais que acreditemos conhecer o futuro, o desconhecemos totalmente. Com ou sem medo só nos resta caminhar ou se entregar a morte.
A nossa vida sendo única é um contínuo suceder-se de novas experiências, mal realizamos um novo sentir ou um novo pensar e já estamos caminhando por um novo existir. Não há volta, não há retorno, não há recomeço no sentido de refazer a mesma experiência, cada uma é nova por si só. Devemos saborear esta miscelânea de paladares do viver. Não há também prêmio nem devolução, não há restituição, quem perdeu o bonde do experimentar, do sentir, do pensar e do realizar, perdeu realmente, não existe segunda chance para a mesma realidade, se você não aproveitou seu viver para seu próprio caminhar, esta oportunidade foi totalmente perdida.
Mesmo que caminhar fisicamente seja impossível, nossa mente é livre e temos a obrigação biológica vivente de caminhar com ela. Este é um caminhar contínuo, enquanto vivos, um caminhar sem volta, no sentido de não nos ser possível reviver o mesmo caminhar, e um caminhar pessoal, solitário, enquanto somente nós mesmos conseguimos realizar o nosso caminhar.
Não dá para levar uma vida em branco, todo viver deixa rastros, impregna as folhas de nosso livro com impressões, comportamentos e sentimentos que mesmo que escondamos do mundo, estarão para sempre na historia real de nosso viver. É impossível não deixar marcas, o viver sempre impacta o real do mundo, sempre deixará marcas neste mundo, mesmo a omissão, o nada fazer ou o se esconder das responsabilidades deixa sua marca reforçando a situação vigente, sempre caminharemos, mesmo quando acreditamos estar parado, pois o parar é por si só uma decisão do caminhar, mesmo que acreditemos nada pensar, estamos caminhado pelo nada pensar, e politicamente, todo caminhar, mental ou físico, tem reflexo no mundo, e todo caminhar tem um preço humano a ser pago, mesmo que infelizmente, muitas vezes, sejam os outros que pagam este preço, ou parte deste preço, de nosso caminhar.

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