Minha resposta, sem um aprofundamento maior, é de que o capitalismo não é ético, posto que a acumulação de riquezas, quando efetuada à custa do esforço e da exploração de outros, sem divisão igualitária dos ganhos pelos envolvidos no trabalho e na produção, é para mim com certeza injusta. No momento em que o porquê do capitalismo é a própria acumulação de lucro e riqueza, isto por si só já fala um pouco do método de distribuição pela mão de obra produtora.
Talvez o capitalismo seja um mal necessário. Talvez sim. Talvez o socialismo puro seja utópico, mas talvez um socialismo onde as leis de oferta e procura possam atuar de certa forma possa não ser tão utópico assim, e até certo ponto possível. Mesmo que o capitalismo fosse um mal necessário, isto não retira dele, quando deixado a força do poder financeiro, o que ele possui de não social. Ao meu único conceito, é abominável o conceito do liberalismo máximo, ou do ultra liberalismo. Este liberalismo econômico é desejado pelos que detêm o poder (político, econômico e religioso) e pelos que controlam a comunicação e a cultura. Os que controlam a informação, e direcionam a educação formal, adoram este sistema econômico, visto que naturalmente ele mantem a seleção do conhecimento junto aos filhos dos mais abastados, por permitir a estes uma instrução de ótimo nível.
Os beneficiados pelo poder econômico sempre estarão por cima enquanto o liberalismo econômico mandar. Estes se agarrarão com unhas e dentes a esta estrutura desigual do capitalismo, principalmente nos países em que o poder econômico se sobreponha ao domínio político e direcione a regulamentação do legal. O poder normalmente força uma linha “moral” comprometida com os próprios interesses, e enfim, força fazer da ética um falso reservatório de virtudes distorcidas, que justifiquem o próprio liberalismo.
Talvez eu esteja sendo impropriamente agressivo com o capitalismo como um todo. Talvez se eu refletisse melhor, poderia perceber que o capitalismo em si, não é imoral ou antiético. Sim, o capitalismo, quando analisado em seu próprio escopo natural, que é o do nível técnico/cientifico, ele pode não ser imoral, ele poderia ser interpretado apenas e tão-somente como AMORAL. Mas as práticas que a ganância leva, pelo liberalismo econômico, tendem a práticas imorais do ponto de vista social e humano.
A economia, como uma ciência, enquanto uma organização técnica não pode ser moral ou imoral. Exatamente como a própria matemática de que se utiliza como ferramenta econômica, quanto a física ou a química, ele (o capitalismo) existe independente da ética. Como qualquer ciência, jamais poderemos imputar uma linha imoral ou antiética a ela. Imoral ou antiético, pode ser o uso intencional que nós humanos façamos deles, e o mesmo se dá no capitalismo, ainda mais no liberal, por característica própria de sua existência.
O capitalismo parece ter provado, quer eu goste quer eu não goste, ser atualmente o “melhor” sistema conhecido, do ponto de vista da produção. O comunismo sucumbiu, pois nós humanos não estamos preparados para sermos iguais, e abrir mão de nossas posses, mesmo por uma igualdade de povos e de humanos. Mas será que estamos fadados a apenas estes dois sistemas independentes, não seria possível algo que unisse alguma lei de mercado, com corporações e ambiente econômico não liberais, onde todos em cada corporação fossem tratados como humanos e dignos assim da divisão da riqueza produzida?
Entendo que Marx idealizou um meio de produção e uma economia altamente éticos, o comunismo (não o comunismo militar ditatorial que conhecemos, apesar de que a transformação necessitasse de força revolucionária). Filosoficamente falando, o comunismo é realmente muito mais ético que o capitalismo, porém talvez seja impraticável frente a nossa mesquinha vaidade e ganância de posses, riquezas e de poder, por um lado, e pelo nosso hipócrita comportamento do muitas vezes querer apenas e tão somente consumir sem produzir, pelo outro.
Para que o comunismo filosófico pudesse existir, tínhamos que ser muito mais humanos do que realmente somos, muito mais sociais do que parece que nossa espécie consegue ser. Teríamos que abrir mão, de bom grado, de nossos interesses, para abraçar o interesse dos outros, ou melhor, os interesses coletivos, de todos nós, pelo bem de todos nós.
O interesse coletivo deveria estar acima dos nossos interesses individuais, familiares, corporativos, ou mesmo do grupo social a que pertencemos. Mas infelizmente somos mesquinhos e vaidosos. Amamos ter o que temos e sempre queremos mais, e não estamos dispostos, em nossa maioria, a abrir mão do que temos, do que conseguimos, em nome de uma justiça social maior. Talvez por isto o comunismo tenha se perdido. Ele, hoje só é possível á força. Só ditaduras vorazes permitem, a fórceps, manter o comunismo operando. E este é com certeza um preço muito caro: trocar uma ética de livre humanidade, por uma ética do terror coletivo.
Países que estão “em crescimento”, e que outrora foram comunistas, estão cada vez mais se abrindo ao “mercado livre”, enfim estão liberalizando os meios de produção. Isto é bom, e isto é ruim, entendo que o problema seja exatamente o liberalismo econômico e político.
A força ditatorial, utilizada para dar sustentação ao comunismo, com o passar do tempo, leva a natural destruição do que de mais belo ele teria, a liberdade de sermos justos socialmente, a igualdade de sermos socialmente livres, o social de sermos igualmente justos.
O comunismo, assim praticado, estava desde o seu início fadado à perdição. Não que o seu conceito esteja errado, mas sim que a mesquinha raça humana, nem de longe, é humana o suficiente para viver um mundo de igualdade social, a não ser pela coerção da força. Nossa humanidade é mínima, e o nosso humano restringe-se quase que somente a biologia, e não ao ser ou ao existir.
Hoje, somente com o uso da força, e com enormes e improdutivos gastos em controle e fiscalização, permitem uma máscara comunista de existir. Bela pelo que propõe e ingrata pelo como o faz.
Como seria bom se o comunismo ganhasse em liberalismo social, e em algum gerenciamento liberal do mercado. Como seria bom se o capitalismo ganhasse em distribuição social dos bens e riquezas, e em real vontade política de incluir socialmente populações inteiras de miseráveis e de excluídos. Como seria bom algo como um socialismo de mercado, ou um capitalismo social. Como seria bom se os dois conceitos convergissem para um capitalismo social, ou um comunismo de mercado livre, sem a figura do investidor, do dono do capital, que nada produz em si, e que mais lucra. Como seria bom se nós deixássemos de lado nossas vaidades, nossos interesses, nossas mesquinharias, nossas invejas, nossa ganância, nosso pavor de perder o que conseguimos. Como seria bom se a humanidade entendesse que ser comunista não é ser distribuidor da miséria, e sim distribuidor das riquezas. Isso é um dado muito importante, antes de distribuí-la, temos que fazer a riqueza acontecer, ou melhor enquanto a fazemos acontecer, a distribuímos por todos. Ai entra o liberalismo, algum nível de liberalismo é necessário para permitir que nossa vaidade e nossos interesses sejam a força propulsora, que permite ao capitalismo ser o que é no tocante a força para criar riquezas, mas com o dvido cuidado legal e social de não criar proprietários de riquezas.
Produzir não é feio e nem errado. Para distribuir a riqueza temos de fazê-la acontecer. E o capitalismo é um bom meio de fazer a riqueza acontecer. Produzir significa trabalhar, olhar para o nosso bocado da produção, e saber que depende de nosso esforço, a fatia de riqueza que vai ajudar a distribuição desta pelos outros. Dar direitos e oportunidades iguais a todos, não significa para mim, tratar a todos de forma igual. Permitir que todos tenham as mesmas oportunidades é marcante para mim, e deveria ser o lema verdadeiro de toda democracia. Entretanto devemos tratar diferentemente os desiguais.
Permitir que todos possam produzir, e que o devem fazer com máximo afinco, é um dever do estado, e o é também da educação familiar e cultural. Agora, termos de carregar nas costas aqueles que não desejam produzir, que são preguiçosos, que preferem se apoiar nas benesses de um estado socialmente “justo”, não é justo.
Permitir também que alguns, por meios ilícitos, recebam muito, pelo muito pouco que produzem, também não é justo, e finalmente permitir que a riqueza migre de mão, quer seja por suborno, por atos ilícitos, por roubo, e não por trabalho e produção, deve ser fortemente combatida. Alias, de alguma forma, a riqueza individual, familiar ou meramente corporativa deve ser combatida. A riqueza deve ser da sociedade que deseja produzir como um todo, e por ela ser dos humanos que se envolvem direta ou indiretamente em sua produção. Entendo assim que a distribuição da riqueza e dos bens é uma ação social que deve ser defendida por todos.
O capitalismo então tem algo a nos mostrar de sua força. Mas por traz de cada empresa, e do estado, e no cerne da economia capitalista, existem pessoas, e acima destas tem que existir leis fortes o bastante para direcionar e humanizar o motor do capitalismo, porque deixado simplesmente a liberdade econômica, alimentada por nossa vaidade, ganância e nossos interesses primeiros, acabaremos sempre por levar o capitalismo a níveis assustadores de liberalismo que leva o resto da sociedade a degradação humana e social.
Dar limites e dar direção ao capitalismo, devem ser deveres de um estado que deve manter um foco social. Os limites da economia devem também estar bem claros a nível não só nacional, mas também internacional (utopia? Talvez). Leis que fomentem oportunidades a todos, são muito importantes. Leis internacionais que sejam compatíveis e justas, são imprescindíveis.
Como exemplo, não adianta um país acreditar que possa ter uma semana de 30 horas de trabalho, com uma lei social forte, enquanto outros lugares, quase que permitem o trabalho escravo, sem quase nenhuma lei social. Isto levaria (e leva) a indústria do primeiro país ao fracasso. Uma lei internacional forte e clara, dando igualdade de condições para as empresas de todos os países, permitindo um mercado livre, porém sem a ditadura do mercado. Não adianta esperarmos que o mercado seja justo ou ético por si só. O mercado existe para fazer o seu papel, que é o de produzir riquezas com o menor custo, e o maior lucro. Desta forma, acima deste mercado, devemos ter leis firmes e seguras que rejam este mercado a um nível local e internacional.
O capitalismo vive do risco, nenhum empresário, pequeno ou grande, vai investir seus recursos e seu trabalho para perder. Se o mercado é liberal ou ultra liberal, o empresário vai, por necessidade de seu negócio, e não por necessidade ética ou moral, retirar sua fábrica do local A para levá-la ao B, seja este B até mesmo em outro continente, se a sua margem de lucratividade for melhor, e lhe permitir assim uma concorrência maior e com menores riscos, neste mercado livre.
Assim talvez o problema não esteja no capitalismo, e sim no ultra liberalismo econômico, político e legal, que rege hoje a economia como um todo. Infelizmente, também seja parte ativa deste problema, alguns imorais empresários que vivem de subornos e de ações ilegais, pelo baixíssimo nível de controle e fiscalização que o mercado liberal propõe.
O capitalismo sempre viverá de algum abuso sobre os mais fracos. O capitalismo necessita, quase como que um dogma, de um percentual de desempregados, de pobres, de carentes, que funciona como uma bolsa de mão de obra disponível, visando achatar os salários, e permitir fácil, e as vezes injustas substituições de mão de obra, por outra mais barata. Algo mais imoral do que isto, do ponto de vista humano, necessitar da pobreza para lucrar?
Quanto mais liberal for o princípio capitalista que movimenta uma sociedade em especial, maiores serão, em alguma ponta do processo, o aproveitamento da produção, sem a distribuição relativa das riquezas geradas, a usurpação da produção simplesmente porque o empresário é o dono do capital.
A acumulação de riquezas, decorrente da lógica capitalista será sempre aética, mas a linha legal, política e moral (prática) desta sociedade é que será ou não antiética, pela minha visão. Se deixamos o liberalismo agir, o capitalismo tenderá a uma situação totalmente antiética, e quanto mais leis ordenarem o capitalismo, mais próximo de algum mercado ético estaremos.
O capitalismo ganhou uma faceta que piora ainda mais sua situação prática antiética, que decorre da globalização. A globalização é hoje, a elevação a um nível insuportável, da força do poder econômico, e do liberalismo, sobre as sociedades. A globalização poderia ter sua faceta social, permitindo a cada estado, sua adaptação a produção de riquezas no que tiver de melhor, e não como hoje, em que existe uma liberdade total de migração de capitais e produção, ao bel-prazer deste mercado ultra liberal.
A sociedade fica então refém do medo, de a qualquer momento, ter sua forma de trabalho simplesmente removida de sua cidade, de seu país, e movimentada com a frieza do capital injusto, para outras paragens onde o lucro seja maior.
O lucro que é o porquê do capitalismo, é também a origem do seu mal, mas o lucro é também a origem de sua virtude produtiva. Ter domínio político e social sobre o lucro, e sobre sua distribuição, é o dever que colocaria o capitalismo no nível de alguma justiça social, que está faltando.
Mas não nos esqueçamos, nosso país não é imune ao mercado internacional. Todo movimento de justiça social, para o capitalismo, depende de ações integradas a nível internacional. A globalização somente piorou esta relação.
O lucro, em geral, nos leva a sempre desejarmos mais lucros, de forma mais rápida, mais fácil e segura, garantindo ao investimento menores riscos. Isso não deve ser visto como injusto, pois lucro também é riqueza, e distribuí-la só e possível se a gerarmos.
A mão de obra que acaba sendo vista apenas como recurso substituível, deve esta sim, se unir e construir leis fortes, que permitam que a riqueza gerada, sem caridade, sem filantropia ou sem corporativismo, seja distribuída pelos que ajudam a construí-la.
Eu creio que já estou ouvindo alguém pensando, mas como gerar empregos pode ser antiético?
O problema não é gerar empregos. Se os empresários abrem novos postos, é tão-somente porque eles estão percebendo aí, uma oportunidade de novos negócios, e novas fontes de lucro. Cada posto de trabalho, só é importante no capitalismo liberal, na proporção do lucro que ele gere. Tão logo este posto de trabalho, se removido, aumente a lucratividade, o capitalista liberal não titubeará, e cancelará aquele posto de trabalho, visando maximizar seus ganhos. O emprego só existirá enquanto puder produzir muito mais do que o capitalista pagará pelo profissional que o ocupa. Esta vaga aberta é necessária, mas sempre que a apropriação indébita da produção deste profissional ocorrer, ela é uma vaga injusta, muitas vezes necessária, mas injusta.
Neste raciocínio simplista liberal, a escravidão somente não existe nas grandes, ou pequenas empresas, em decorrência da imagem, e de leis que a proíbe. E deve ser assim mesmo. A imagem para o consumidor, e a LEI, devem dar direcionamento e limites ao poder liberal do mercado, mercado este necessário, mas que precisa de limites a nível local e a nível internacional.
Uma sociedade justa talvez passe por algum mercado livre, mas limitado.
Desta forma:
O mercado talvez deva ter alguma liberdade, mas limitado por leis fortes, e também devem haver leis internacionais que permitam maior equilíbrio de forças entre os países.
Enfim, critico sim, abertamente, o liberalismo econômico. Este, aliado a alguns empresários não éticos, são a causa da má fama do capitalismo.
Retornando a pergunta: O capitalismo é não ético, mas pode até ser equilibrado por vontade, comportamento e leis.
Talvez eu esteja sendo impropriamente agressivo com o capitalismo como um todo. Talvez se eu refletisse melhor, poderia perceber que o capitalismo em si, não é imoral ou antiético. Sim, o capitalismo, quando analisado em seu próprio escopo natural, que é o do nível técnico/cientifico, ele pode não ser imoral, ele poderia ser interpretado apenas e tão-somente como AMORAL. Mas as práticas que a ganância leva, pelo liberalismo econômico, tendem a práticas imorais do ponto de vista social e humano.
A economia, como uma ciência, enquanto uma organização técnica não pode ser moral ou imoral. Exatamente como a própria matemática de que se utiliza como ferramenta econômica, quanto a física ou a química, ele (o capitalismo) existe independente da ética. Como qualquer ciência, jamais poderemos imputar uma linha imoral ou antiética a ela. Imoral ou antiético, pode ser o uso intencional que nós humanos façamos deles, e o mesmo se dá no capitalismo, ainda mais no liberal, por característica própria de sua existência.
O capitalismo parece ter provado, quer eu goste quer eu não goste, ser atualmente o “melhor” sistema conhecido, do ponto de vista da produção. O comunismo sucumbiu, pois nós humanos não estamos preparados para sermos iguais, e abrir mão de nossas posses, mesmo por uma igualdade de povos e de humanos. Mas será que estamos fadados a apenas estes dois sistemas independentes, não seria possível algo que unisse alguma lei de mercado, com corporações e ambiente econômico não liberais, onde todos em cada corporação fossem tratados como humanos e dignos assim da divisão da riqueza produzida?
Entendo que Marx idealizou um meio de produção e uma economia altamente éticos, o comunismo (não o comunismo militar ditatorial que conhecemos, apesar de que a transformação necessitasse de força revolucionária). Filosoficamente falando, o comunismo é realmente muito mais ético que o capitalismo, porém talvez seja impraticável frente a nossa mesquinha vaidade e ganância de posses, riquezas e de poder, por um lado, e pelo nosso hipócrita comportamento do muitas vezes querer apenas e tão somente consumir sem produzir, pelo outro.
Para que o comunismo filosófico pudesse existir, tínhamos que ser muito mais humanos do que realmente somos, muito mais sociais do que parece que nossa espécie consegue ser. Teríamos que abrir mão, de bom grado, de nossos interesses, para abraçar o interesse dos outros, ou melhor, os interesses coletivos, de todos nós, pelo bem de todos nós.
O interesse coletivo deveria estar acima dos nossos interesses individuais, familiares, corporativos, ou mesmo do grupo social a que pertencemos. Mas infelizmente somos mesquinhos e vaidosos. Amamos ter o que temos e sempre queremos mais, e não estamos dispostos, em nossa maioria, a abrir mão do que temos, do que conseguimos, em nome de uma justiça social maior. Talvez por isto o comunismo tenha se perdido. Ele, hoje só é possível á força. Só ditaduras vorazes permitem, a fórceps, manter o comunismo operando. E este é com certeza um preço muito caro: trocar uma ética de livre humanidade, por uma ética do terror coletivo.
Países que estão “em crescimento”, e que outrora foram comunistas, estão cada vez mais se abrindo ao “mercado livre”, enfim estão liberalizando os meios de produção. Isto é bom, e isto é ruim, entendo que o problema seja exatamente o liberalismo econômico e político.
A força ditatorial, utilizada para dar sustentação ao comunismo, com o passar do tempo, leva a natural destruição do que de mais belo ele teria, a liberdade de sermos justos socialmente, a igualdade de sermos socialmente livres, o social de sermos igualmente justos.
O comunismo, assim praticado, estava desde o seu início fadado à perdição. Não que o seu conceito esteja errado, mas sim que a mesquinha raça humana, nem de longe, é humana o suficiente para viver um mundo de igualdade social, a não ser pela coerção da força. Nossa humanidade é mínima, e o nosso humano restringe-se quase que somente a biologia, e não ao ser ou ao existir.
Hoje, somente com o uso da força, e com enormes e improdutivos gastos em controle e fiscalização, permitem uma máscara comunista de existir. Bela pelo que propõe e ingrata pelo como o faz.
Como seria bom se o comunismo ganhasse em liberalismo social, e em algum gerenciamento liberal do mercado. Como seria bom se o capitalismo ganhasse em distribuição social dos bens e riquezas, e em real vontade política de incluir socialmente populações inteiras de miseráveis e de excluídos. Como seria bom algo como um socialismo de mercado, ou um capitalismo social. Como seria bom se os dois conceitos convergissem para um capitalismo social, ou um comunismo de mercado livre, sem a figura do investidor, do dono do capital, que nada produz em si, e que mais lucra. Como seria bom se nós deixássemos de lado nossas vaidades, nossos interesses, nossas mesquinharias, nossas invejas, nossa ganância, nosso pavor de perder o que conseguimos. Como seria bom se a humanidade entendesse que ser comunista não é ser distribuidor da miséria, e sim distribuidor das riquezas. Isso é um dado muito importante, antes de distribuí-la, temos que fazer a riqueza acontecer, ou melhor enquanto a fazemos acontecer, a distribuímos por todos. Ai entra o liberalismo, algum nível de liberalismo é necessário para permitir que nossa vaidade e nossos interesses sejam a força propulsora, que permite ao capitalismo ser o que é no tocante a força para criar riquezas, mas com o dvido cuidado legal e social de não criar proprietários de riquezas.
Produzir não é feio e nem errado. Para distribuir a riqueza temos de fazê-la acontecer. E o capitalismo é um bom meio de fazer a riqueza acontecer. Produzir significa trabalhar, olhar para o nosso bocado da produção, e saber que depende de nosso esforço, a fatia de riqueza que vai ajudar a distribuição desta pelos outros. Dar direitos e oportunidades iguais a todos, não significa para mim, tratar a todos de forma igual. Permitir que todos tenham as mesmas oportunidades é marcante para mim, e deveria ser o lema verdadeiro de toda democracia. Entretanto devemos tratar diferentemente os desiguais.
Permitir que todos possam produzir, e que o devem fazer com máximo afinco, é um dever do estado, e o é também da educação familiar e cultural. Agora, termos de carregar nas costas aqueles que não desejam produzir, que são preguiçosos, que preferem se apoiar nas benesses de um estado socialmente “justo”, não é justo.
Permitir também que alguns, por meios ilícitos, recebam muito, pelo muito pouco que produzem, também não é justo, e finalmente permitir que a riqueza migre de mão, quer seja por suborno, por atos ilícitos, por roubo, e não por trabalho e produção, deve ser fortemente combatida. Alias, de alguma forma, a riqueza individual, familiar ou meramente corporativa deve ser combatida. A riqueza deve ser da sociedade que deseja produzir como um todo, e por ela ser dos humanos que se envolvem direta ou indiretamente em sua produção. Entendo assim que a distribuição da riqueza e dos bens é uma ação social que deve ser defendida por todos.
O capitalismo então tem algo a nos mostrar de sua força. Mas por traz de cada empresa, e do estado, e no cerne da economia capitalista, existem pessoas, e acima destas tem que existir leis fortes o bastante para direcionar e humanizar o motor do capitalismo, porque deixado simplesmente a liberdade econômica, alimentada por nossa vaidade, ganância e nossos interesses primeiros, acabaremos sempre por levar o capitalismo a níveis assustadores de liberalismo que leva o resto da sociedade a degradação humana e social.
Dar limites e dar direção ao capitalismo, devem ser deveres de um estado que deve manter um foco social. Os limites da economia devem também estar bem claros a nível não só nacional, mas também internacional (utopia? Talvez). Leis que fomentem oportunidades a todos, são muito importantes. Leis internacionais que sejam compatíveis e justas, são imprescindíveis.
Como exemplo, não adianta um país acreditar que possa ter uma semana de 30 horas de trabalho, com uma lei social forte, enquanto outros lugares, quase que permitem o trabalho escravo, sem quase nenhuma lei social. Isto levaria (e leva) a indústria do primeiro país ao fracasso. Uma lei internacional forte e clara, dando igualdade de condições para as empresas de todos os países, permitindo um mercado livre, porém sem a ditadura do mercado. Não adianta esperarmos que o mercado seja justo ou ético por si só. O mercado existe para fazer o seu papel, que é o de produzir riquezas com o menor custo, e o maior lucro. Desta forma, acima deste mercado, devemos ter leis firmes e seguras que rejam este mercado a um nível local e internacional.
O capitalismo vive do risco, nenhum empresário, pequeno ou grande, vai investir seus recursos e seu trabalho para perder. Se o mercado é liberal ou ultra liberal, o empresário vai, por necessidade de seu negócio, e não por necessidade ética ou moral, retirar sua fábrica do local A para levá-la ao B, seja este B até mesmo em outro continente, se a sua margem de lucratividade for melhor, e lhe permitir assim uma concorrência maior e com menores riscos, neste mercado livre.
Assim talvez o problema não esteja no capitalismo, e sim no ultra liberalismo econômico, político e legal, que rege hoje a economia como um todo. Infelizmente, também seja parte ativa deste problema, alguns imorais empresários que vivem de subornos e de ações ilegais, pelo baixíssimo nível de controle e fiscalização que o mercado liberal propõe.
O capitalismo sempre viverá de algum abuso sobre os mais fracos. O capitalismo necessita, quase como que um dogma, de um percentual de desempregados, de pobres, de carentes, que funciona como uma bolsa de mão de obra disponível, visando achatar os salários, e permitir fácil, e as vezes injustas substituições de mão de obra, por outra mais barata. Algo mais imoral do que isto, do ponto de vista humano, necessitar da pobreza para lucrar?
Quanto mais liberal for o princípio capitalista que movimenta uma sociedade em especial, maiores serão, em alguma ponta do processo, o aproveitamento da produção, sem a distribuição relativa das riquezas geradas, a usurpação da produção simplesmente porque o empresário é o dono do capital.
A acumulação de riquezas, decorrente da lógica capitalista será sempre aética, mas a linha legal, política e moral (prática) desta sociedade é que será ou não antiética, pela minha visão. Se deixamos o liberalismo agir, o capitalismo tenderá a uma situação totalmente antiética, e quanto mais leis ordenarem o capitalismo, mais próximo de algum mercado ético estaremos.
O capitalismo ganhou uma faceta que piora ainda mais sua situação prática antiética, que decorre da globalização. A globalização é hoje, a elevação a um nível insuportável, da força do poder econômico, e do liberalismo, sobre as sociedades. A globalização poderia ter sua faceta social, permitindo a cada estado, sua adaptação a produção de riquezas no que tiver de melhor, e não como hoje, em que existe uma liberdade total de migração de capitais e produção, ao bel-prazer deste mercado ultra liberal.
A sociedade fica então refém do medo, de a qualquer momento, ter sua forma de trabalho simplesmente removida de sua cidade, de seu país, e movimentada com a frieza do capital injusto, para outras paragens onde o lucro seja maior.
O lucro que é o porquê do capitalismo, é também a origem do seu mal, mas o lucro é também a origem de sua virtude produtiva. Ter domínio político e social sobre o lucro, e sobre sua distribuição, é o dever que colocaria o capitalismo no nível de alguma justiça social, que está faltando.
Mas não nos esqueçamos, nosso país não é imune ao mercado internacional. Todo movimento de justiça social, para o capitalismo, depende de ações integradas a nível internacional. A globalização somente piorou esta relação.
O lucro, em geral, nos leva a sempre desejarmos mais lucros, de forma mais rápida, mais fácil e segura, garantindo ao investimento menores riscos. Isso não deve ser visto como injusto, pois lucro também é riqueza, e distribuí-la só e possível se a gerarmos.
A mão de obra que acaba sendo vista apenas como recurso substituível, deve esta sim, se unir e construir leis fortes, que permitam que a riqueza gerada, sem caridade, sem filantropia ou sem corporativismo, seja distribuída pelos que ajudam a construí-la.
Eu creio que já estou ouvindo alguém pensando, mas como gerar empregos pode ser antiético?
O problema não é gerar empregos. Se os empresários abrem novos postos, é tão-somente porque eles estão percebendo aí, uma oportunidade de novos negócios, e novas fontes de lucro. Cada posto de trabalho, só é importante no capitalismo liberal, na proporção do lucro que ele gere. Tão logo este posto de trabalho, se removido, aumente a lucratividade, o capitalista liberal não titubeará, e cancelará aquele posto de trabalho, visando maximizar seus ganhos. O emprego só existirá enquanto puder produzir muito mais do que o capitalista pagará pelo profissional que o ocupa. Esta vaga aberta é necessária, mas sempre que a apropriação indébita da produção deste profissional ocorrer, ela é uma vaga injusta, muitas vezes necessária, mas injusta.
Neste raciocínio simplista liberal, a escravidão somente não existe nas grandes, ou pequenas empresas, em decorrência da imagem, e de leis que a proíbe. E deve ser assim mesmo. A imagem para o consumidor, e a LEI, devem dar direcionamento e limites ao poder liberal do mercado, mercado este necessário, mas que precisa de limites a nível local e a nível internacional.
Uma sociedade justa talvez passe por algum mercado livre, mas limitado.
Desta forma:
O mercado talvez deva ter alguma liberdade, mas limitado por leis fortes, e também devem haver leis internacionais que permitam maior equilíbrio de forças entre os países.
Enfim, critico sim, abertamente, o liberalismo econômico. Este, aliado a alguns empresários não éticos, são a causa da má fama do capitalismo.
Retornando a pergunta: O capitalismo é não ético, mas pode até ser equilibrado por vontade, comportamento e leis.

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