Como um rio serpenteio pela natureza, horas sou calmo, horas bravio, horas sou volumoso, horas sou profundo, horas sou raso, horas sou represado, e outras horas me lanço corajosamente em saltos majestosos, como um rio necessito da natureza, como um rio altero esta própria natureza que me serve de suporte, e como um rio sou também direcionado por esta mesma natureza, agora diferente do rio, que não possui capacidade de escolher seu próprio caminho, tenho parcialmente esta capacidade, posso com algumas limitações escolher a direção e o caminho a seguir, sendo assim, porque não tentar dar direção ao nosso caminho existencial?
Como um rio, fluo, como humano, caminho. Algumas vezes, muitas vezes, caminho sem sensibilidade e empatia, mas como humano, até mesmo para fazer valer minha humanidade, necessito construir e aflorar minha empatia e minha sensibilidade. Como um rio, sou natureza em essência e em totalidade. Sendo essencialmente natureza, como humano, acrescento a natureza que sou, os naturais seres que emergem naturalmente de minha mente, sendo esta uma natural emergência do não menos natural cérebro que possuo. Assim, sem deixar nunca de ser a natureza física, química e biológica que somos, sou, ou apenas creio ser, sou um pouquinho mais, pois que acrescento a aquelas, o natural escopo mental e social que também sou, mas sem me achar prepotente por sê-lo, pois que outras espécies também possuem escopos mentais e sociais. O que nos diferencia neste caso é apenas um potencial maior, tanto para o bem, quanto para o mal.

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