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quarta-feira, 14 de maio de 2014

Se a felicidade parece estar longe

Se a felicidade parece estar longe, ela pode realmente estar, mas no geral ela nunca estará tão longe que não possamos ter encontros, mesmo que fugazes, com ela. A maioria das vezes somos nós que a mantemos longe de nós mesmos, pois que naqueles momentos em que ela chega para pontilhar com alguma felicidade nosso sofrido viver, batemos a porta a sua chegada, mas é bem verdade também que o caos da existência, em alguns casos, parece conspirar totalmente contra. Mas a vida não conspira contra, pois ela não tem direção preestabelecida, infelizmente, a probabilidade, pequena mas possível, de que os eventos da sequência do viver estejam “envelopados” por sequências negativas, pode sim ser verdade para alguns, mas isto não é motivo para desistir de viver, ou se entregar a desumanidade. Também não adianta viver na esperança de que encontraremos a felicidade plena e eterna, ela é humanamente impossível, pela própria característica do viver, agravado mais ainda pelo estado desumano em que alguns irmãos vivem. Penso que somente seres alienados ou desumanos podem ser felizes enquanto outros irmão sofrem, e mesmo que alcancemos uma sociedade plenamente justa, social e humana, ainda sobrará a perda direta de quem amamos para, por algum tempo, nos retirar a felicidade. 


Eu sei que todos temos nossos limites, não existem santos em essência, perfeitos em absoluto, e nem sábios em totalidade. Eu sei que a dor tem valores diferentes para diferentes pessoas. Eu sei que somente sabe a dor do sofrimento, aquele que a experimenta. Por mais empático que eu seja, a dor real somente é sentida pelo que a vive, por isto não culpo diretamente aqueles que em limites extremos de sofrimento físico, moral ou psíquico , acabam desforrando sua dor, principalmente quando esta tem parte de sua origem na própria sociedade, e assim se voltam contra esta mesma sociedade que o abandonou, ou que o manteve na indigência humana e social.

É fácil culpá-lo, enquanto a vida como um todo conspira para minha felicidade, quando na média social tenho momentos alegres e felizes do viver, enquanto a dor do nem se conhecer como ente humano não é minha, mas não é por isto, mesmo que entenda as raízes sociais de sua dor, que posso deixar ou concordar (apesar de entender) com sua desforra contra o todo social. Devo ter a coragem de me expor, e lutar contra a mesmice de coisas que esta sociedade faz ou mantem, em nome do acumular riquezas ou poderes, devo assim ser ousado o suficiente para agir, falar, gritar ou mesmo batalhar por uma sociedade mais justa, mais equânime, mais social, mais inclusiva, mas não posso também aceitar, mesmo que com o coração cheio de espinhos e lágrimas, que alguém possa maltratar outro humano, simplesmente porque a vida foi mais benevolente para com ele. Devo por um lado lutar com toda minha ousadia e energia para melhorar a condição social e de justiça para muitos, e por outro lado devo me expor na luta pela diminuição das desigualdades, devo lutar contra aqueles que exploram, oprimem, e se enriquecem acima do que precisam, pois cada algo a mais que tiverem, implicará na diminuição de algo para aqueles que já pouco tem. 

Se a sua desforra é contra uma casta de pessoas que vê a sociedade meramente como massa de manobra, ou se estivermos falando daqueles aproveitadores, mentirosos, hipócritas que se sustentando e se beneficiando da situação insocial, fazem por onde mais ainda acumular riquezas e poder, devo me colocar frontalmente contrário a estes e a favor dos que sofrem a opressão, a exclusão e a exploração. Podemos juntos lutar por seus direitos e pela sua dignidade humana, devemos resistir, ou mesmo lutar contra este estado injusto de coisas. Agora existem aqueles que levam suas vidas dignas, mas para os quais a sorte e as oportunidades sorriram mais vezes, e a ninguém é dado o direito de ser destruidor também destas vidas, simplesmente porque tiveram a sorte, o esforço e a competência de encontrar alguma estabilidade e felicidade. Se falamos daqueles aproveitadores inescrupulosos e desumanos, tenho a obrigação moral e humana de somar aos que sofrem, contra estes.

Eu sei que a dor do sofrimento dos excluídos é uma marca que não consigo realmente sentir, mas entendo também que a população pobre como um todo possui uma força coletiva enorme, não aproveitada por eles, onde o sistema, a política, a educação, e mesmo, a religião domesticam esta revolta em nome de manter a sociedade subserviente e aderente aos desejos dos dominantes deste estado de coisas, possuindo assim responsabilidades diretas pelo atual estado de inação de nossa população.

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