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quinta-feira, 1 de maio de 2014

Simplesmente palavras

Palavra, eco do pensamento, murmúrio do sofrimento, tons da felicidade, ruído do sentimento, reflexo do ser que somos. Palavra, imagem que chega repleta de ideias, representação do que pensamos, sentimos, sofremos ou mesmo daquilo que amamos ou odiamos. Por que perdermos a palavra que ajuda e motiva a construção e a transformação, pela palavra que ofende, humilha ou desmerece nossa humanidade, ou mesmo pelo silencio da omissão. 


Palavras são entes etéreos que vivificam emoções, são animais bravios que marcam presença por sua agudeza. Palavras podem ser caminhos, podem ser atalhos, podem ser barreiras, podem ser contornos ou desvios, e podem nos levar ao humano, ou podem nos fazer desumanos.

A linguagem que eleva, é a mesma que destrói. As palavras são o cerne central de nossa expressão enquanto viventes, e quando aderentes ao nosso comportamento reforçam e dão maior clareza a nossa caminhada. Palavras escritas ou faladas, palavras que o vento pode levar, palavras sorrateiras, que mais parecem murmúrios, mas que representam um pouco do que somos, palavras dinâmicas que nos levam de roldão, palavras eufóricas que convencem pela expressão, palavras nas quais nos perdemos ou nos achamos. Simplesmente palavras, mas que ditas por um caminhante com empatia, tornam-se melodias que nos reforçam também a vontade de caminhar com ele.

Palavras, arma e medicação, graça e destruição, louvor e sofrimento. Palavras que podem nada dizer, ou que podem o mundo transformar. Palavras que abrem caminhos ou destroem atalhos, palavras que nos ajudam a encontrar alguma verdade ou que mentem na tentativa de iludir. Se soubéssemos a real força da palavra, preferiríamos nascer mudos. Somente a ação pode realmente transformar ou construir algo novo, mas a palavra bem colocada, que reforce a ação pode mais motivar, porem dependendo da palavra, do tom, e do momento, uma palavra pode angariar apoio ou desprezo, pode unir ou separar, pode iludir ou elucidar, pode confundir ou esclarecer, pode enganar ou convencer. Palavras e atitudes podem iluminar ou ofuscar, podem somar ou dividir, podem revolucionar ou “reacionar”.

Pequenas ou grandes, de ação ou de complemento, diretas ou predicativas, compondo frases ou soltas, as palavras são parte marcante do que realmente somos, pois que falar o que não soma, esclarece, ou engrandece o humano, falar para o que.

Letra por letra, silaba por silaba, fonema por fonema, as palavras ganham vida própria e sentidos diversos, que facilmente confundem, mais do que clarificam. Palavras que contaminam, que parecem se reproduzir, que se espalham com velocidade astronômica. Palavras que se sustentam por longos tempos, mesmo que verdadeiras não sendo. Palavras mentirosas, repetidas ao longo do tempo, parecem ganhar ares de verdade, e isto nos confunde. Palavras... Simplesmente palavras... cuidado com elas, tanto nas que falas quanto nas que ouves.

Por mais que palavras possam ajudar, devemos sempre lembrar que palavras sem atitudes nada, ou quase nada, fazem, palavras, por mais que repetidas, não matam a fome, não curam doenças, não transformam a realidade, continuarão sendo simplesmente palavras. Mesmo em um socorro emocional, em uma ajuda psicológica, em uma palavra de força e de motivação, é necessário um comportamento empático, sensível e de doação sincera de nós mesmos pelos outros. 

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