Nosso mundo desmorona quando alguém que amamos também desmorona.
Nosso mundo desaba, cai ou precipita em dor quando alguém que amamos também tomba ou abate-se em dor ou em sofrimento. Mas por este alguém, por nós mesmos, pelo amor e pela empatia mútua, nos reconstruímos, e nos transformamos para superar esta dor, e recompor aquele que amamos.
Que bom seria se o amor pessoal ou de grupo que sentimos pelos que amamos pudesse ser universal, pudesse ser comum a todos e por todos. Praticamente impossível, uma vez que o amor não é algo natural e sim construído. Desta forma entendo ser difícil, apesar de possível, construí-lo pelos estranhos, pelos distantes, e pelos que apenas sabemos intelectualmente que existem, mas que não nos são comuns a nossa vida, ou que não são conosco em nossa vida. Resta-nos então a empatia e o respeito, sobra-nos a dignidade de estar não necessariamente no lugar deles, mas de estar aberto a entender o que sentem, o que pensam, o que realizam subjetivamente, não para sabermos como agiríamos naquele lugar e naquele momento, mas para sentir como eles, sentir suas dores, suas frustrações, seus sonhos, seus medos, e seus desejos, não necessariamente para aprender com eles, ou para mostrar que tínhamos outras alternativas, mas sim para viver o que eles sentem e o porque eles são como são, e assim estarmos com eles para em parceria e em doação, nos comprometermos a transformarmos o todo, nós e eles, nossa realidade e a realidade deles, nossa política e a política deles, nosso econômico e o econômico deles, por uma situação final mais humana e social.
Este estado empático, com o verdadeiro sentido de respeito humano, político e social, pode não ser suficiente para verdadeiramente amarmos os distantes, os estranhos, os diferentes, os que conosco não comungam de nossas crenças, mas nos permitirá leva-los seriamente em consideração humana e social, nos servirá de guia para nossos atos, nos servirá de medida para nosso comprometimento, nos servirá de apoio para nossos planos presentes e futuros, e nos servirá de reforço, mesmo que subjetivo, aliás totalmente subjetivo, no como olhamos para o mundo, para os seres humanos universalmente, e para o como nos comportamos, e por que não para vermos nossa insignificância neste planeta, e neste universo.

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