Entendo por alegria aquilo que sinto em alguns momentos, enquanto não me lembro do sofrimento e do abandono social de muitos.

Entendo que alegria é aquilo que todos merecem, um dos itens da felicidade (se é que felicidade realmente exista), mas entendo também ser impossível de realizar em toda sua plenitude, pois a própria natureza do viver humanamente a limita, agravado pelo “comportamento” da sociedade, e da própria natureza. Como estar alegre e feliz enquanto crianças sofrem. Impossível, por exemplo, estar alegre quando descubro que alguém que amo está muito doente ou sofrendo, quando minha casa desaba, quando descubro-me com alguma doença em estado terminal, quando vejo a miséria, a fome, o sofrimento, o abandono, a exclusão ou o preconceito a que muitos de nós está sujeito, mas em contrapartida, como não ficar alegre quando nasce com saúde um filho ou um neto nosso, quando este filho se forma, quando uma criança sorri para nós, quando vemos aqueles que amamos se curarem de doenças, e muitas outras situações.
Ousaria provocar dizendo que a alegria deve ser também um dos pilares de nossa revolta contra o que aqui está, pois sendo humana a nossa existência, a alegria, mesmo que parcial ou pontual, é necessária, mas o estado social de nossa humanidade, infelizmente, insiste em estar envolvido em alguma, ou muita (depende do ponto de vista e da posição que ocupamos nesta sociedade), tristeza. Gostaria de ser feliz, já que ser feliz de forma plena e perene é impossível, gostaria de estar feliz o maior número possível de vezes, pelo maior espaço de tempo possível. Buscando maximizar os momentos de felicidade, entendo que preciso me transformar e ajudar na transformação social, pelo humano global que podemos fazer surgir.
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