É uma pena que a mão de uma sincera e humana revolta possa ainda não ter chegado ao ponto de uma virada de rumo, ou que já tenha ela passado do ponto, e a sociedade por sua poderosa inércia, torna qualquer mudança de rumo como improvável.
É uma pena que o sistema e a classe dominante não tenham compromisso e respeito suficiente para com a população e prossigam alheios as reais necessidades de igualdade, liberdade sem libertinagem, direitos com responsabilidades, e respeito humanos e social.
É uma pena, porque parece que a simples movimentação em nada afeta o atual estado das coisas e os seus responsáveis, visíveis ou invisíveis. A violência visível é grande, mas é apenas o reflexo de uma outra que entendo pior, que agride no silêncio e na calada do dia a dia, que continuamente oprime e degrada a dignidade humana, mas que acaba sem um culpado fácil de identificar, que acaba mascarada e protegida pela incapacidade de se perceber um responsável, pois que é latente ao sistema como um todo, e que passou, desde muito, a ser considerada o estado normal de referência para o viver. Assim esta violência muda, invisível ao todo, sem referencial de pessoa responsável, e sem posse ou proprietário, fustiga sem culpa, pois que muitas vezes sequer é percebida pela sociedade como um todo, apesar de real na dor do sofrimento daqueles que a sofrem, e o pior, já faz parte da realidade do viver em nossa sociedade, insensível, impassível, invisível, mas real e opressora.

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