A desumanidade é algo cada vez mais tão natural, que já deixou de ser surpresa que não mais nos surpreenda viver em um mundo onde milhões de irmãos estão abandonados a sorte da miséria, da fome, do desamor, da exclusão social e da indignidade humana. Nossa sensibilidade humana e social parece cada vez mais adormecida, perdida entre nossas emoções e lutas, entre nossos interesses e vaidades, entre nossos prazeres e posses, entre nossa busca pela imagem social e nosso descaso pela imagem de miséria e fome que assola mais de 870 milhões de irmão no mundo.
Nossa sensibilidade aparece, quando estes pobres, miseráveis, e abandonados chegam próximos a nós, para pedir ou para levarem sem nada pedirem, nestes casos a nossa sensibilidade, apenas por nós mesmos ou pelos nossos, diga-se de passagem, aflora e nos arvoramos a gritar para que o sistema ou o estado atue para evitar que eu ou os meus sejam incomodados ou que possam “sofrer” por ações destes mesmos miseráveis e abandonados que nossa sensibilidade acabou por esquecer ao longo do tempo. Se conseguíssemos caminhar com um mínimo de empatia humana agiríamos para que o sistema, o estado e a sociedade pudessem se transformar em uma sociedade inclusiva, em um estado mais social, e em um sistema não liberal.

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