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quinta-feira, 17 de abril de 2014

A ética, a moral, o respeito humano, a empatia e o amor são naturais

A ética, a moral, o respeito humano, a empatia e o amor não são e nunca foram propriedades de religião alguma, ou de misticismo algum. Eles são naturais, mesmo antes de serem humanos, eles de alguma forma estão espalhados pela natureza animal, e chegaram até nós como item passado pela espécie comum que também deu origem aos chipanzés e bonobos. A pesquisa séria animal, percebe claramente, princípios de empatia, sensibilidade, comportamento afetivo-emocional, e  de algum comportamento ético social em várias espécies animais, entre elas os primatas de tamanho maior, elefantes e até mesmo entre golfinhos. Nossos primos irmãos, por um lado os chipanzés, e por outro os bonobos, possuem claramente nossas características emocionais de empatia, ajuda social, sensibilidade, negociação, e também, de agressividade, e luta pelo poder (nestes dois casos entre os chipanzés). Assim sendo, são atributos naturais. 


As religiões podem trabalhar estes atributos? Com certeza que podem. Podem até se desejarem um trabalho sério, não catequético, ajudarem muito no refinamento humano destes atributos, o que não podem é se arvorarem como proprietárias destes valores e atributos, não o são, e nunca o foram. Não podem em nome de entidade superior alguma se acharem no direito de dizer, impondo, o que é certo e o que é errado, o que é justo e o que é injusto, o que é moral e o que é imoral, o que posso e o que não posso fazer, como se fossem elas, as religiões, magistrados supremos destes atributos e valores. Não podem nem mesmo achar que a ciência séria esteja fora desta analise crítica de valor. Sendo atributos e valores naturais, como comentado acima, está sim, a ciência, dentro do escopo de estudar e entender cientificamente o como do sentimento de moral e de imoralidade, da empatia e do descaso, da sensibilidade e da insensibilidade, do sentimento de justiça e da injustiça, da interpretação do ético e do antético. A ciência inclusive está muito mais preparada para este estudo sério do que qualquer religião, pois está livre de conceitos revelados. A ciência pode estudá-los criticamente pela multidisciplinaridade da biologia, da neurociência, da psicologia, da sociologia, da antropologia, da psiquiatria, da linguística, e mesmo pela zoologia. Não dá para estudar nossa condição de homo sapiens atual abrindo mão da evolução e da biologia, somos hoje variação do que fomos ontem, não somos criação nova, ou projeto independente, somos um contínuo em continua evolução, e mesmo antes de sermos primatas, fomos mamíferos e assim por diante.

É importante também dizer que não somos somente genética e evolução, estes nos permitiram um cérebro plástico, e assim ele está constantemente gerando, reforçando, reduzindo, ou eliminando o potencial ente conexões neurais, e assim somos também fenótipo e estamos em constante alteração do que somos. Desta forma, culpar a genética por tudo o que somos ou o que não somos é uma falácia daqueles que precisam de desculpas para o que são ou para o que não são. Mesmo irmãos gêmeos “perfeitos”, univitelinos, ao nascerem para o mundo, já não possuem circuitos neurais iguais, sendo assim já seres mentais distintos e únicos. O volume de ligações neurais beira o absurdo de tão grande (passa da casa dos trilhões), e se falarmos das possibilidades de ligações neurais beira o infinito para nosso entendimento de quantidades, e não há como os genes ativos humanos, cerca de 25 mil (O Projeto Genoma Humano constatou a presença de aproximadamente 20-25 mil genes, que geram cerca de 400 mil proteínas), “projetarem” todas aquelas ligações, eles apenas desenham a estrutura funcional do cérebro, as ligações individuais vão acontecendo, ou desaparecendo, por inúmeras razões externas ao nosso genoma. Apenas para diminuir nossa prepotência, nem somos o animal mais complexo na estrutura genética, uma simples pulga d’agua possui sozinha, cerca de 31 mil genes ativos.

Não só mentalmente caminhamos entre escopos separados porem bem entrelaçados de determinação do que nascemos (genética) e casualidade do que nos tornamos, assim, genética, fatalidade, experiências, alimentação, medicações, sociedade, vontade, e muitos outros fatores se misturam para sermos biologicamente (corpo) e psicologicamente, subjetivamente e existencialmente (mente que emerge do cérebro) o que somos. Com a ética, a moral, o respeito humano, a empatia e o amor não é diferente, somos um mix natural do que a determinação de nossa genética nos proveu e variações do que a vida nos fez, e também somos um pouco daquilo que nossa vontade nos ajudou a ser. Mesmo outros atributos, por muitas pessoas considerados apenas como humanos, como a consciência ou a criatividade estão também no mundo animal. Seria deselegante de minha parte não comentar que na espécie humana, estes e outros atributos aparecem de forma muito mais marcante, até porque nossa relação tamanho do cérebro por volume corporal é muito maior que nas outras espécies animais, nos permitindo assim um cérebro com maior poder de processamento. Uma das poucas características que ainda pode-se dizer que é humana, pois ainda não foi percebida em outro ser qualquer é a consciência de se saber consciente de que é consciente.  


Veja Binti Jua, a gorila que salvou um menino.





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