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sábado, 12 de abril de 2014

Somos sociais, somos empáticos, além de somente agressivos e competitivos

Entendo que Jean-Jacques Rousseau, com a denominação de “Contrato Social” tenha cometido pelo menos um equivoco clássico, totalmente passível de entendimento, pois se baseava em uma visão tradicional de que ao longo de nossa existência éramos seres independentes, autônomos, e que não precisávamos para viver, de mais ninguém, uma vez que nossa inteligência nos fazia acima da natureza e nos colocava como exímios caçadores-coletores. Entretanto, ao meu ver, ele errou radicalmente nesta interpretação, como erram e erraram ao longo do tempo, todos aqueles que assim pensam. Segundo sua linha de pensamento e argumentação, Rousseau achava que a opção por uma vida social, na busca talvez de alguma segurança maior, foi uma decisão intelectual e cognitiva, pois que nossa inteligência assim nos “mostrava” ser melhor e ser um caminho mais natural e seguro, que homens e mulheres decidiram abrir mão de algumas de suas liberdades em troca das vantagens de uma vida em comunidade, em sociedade. Este mito de origem, permanece ainda muito vivo entre alguns estudiosos de ciência política e em algumas faculdades de direito, e ele apresenta a vida social como um relacionamento negociado e não como um algo que tenha ocorrido naturalmente com nossa espécie ao longo do tempo e ao longo de nossa evolução (evolução esta que Rousseau não levou em conta).


Primeiro não “nascemos” (quando iniciamos nossa jornada evolutiva ainda como hominídeo) desde nossa origem como espécie inteligentes e bons caçadores. Na verdade éramos caça (prezas) e não caçadores (predadores), depois passamos, com alguma certeza, a sermos “caçadores” de restos, de carcaças deixadas estas sim por caçadores e predadores “profissionais”, somente depois é que iniciamos nossa jornada como caçadores, e já neste momento como grupo de caça. Entretanto, desde o inicio, vide nossos primos-irmãos atuais, os bonobos e os chipanzés, já vivíamos em grupos sociais, em sociedades, o que faz com que nossa tenência a sermos sociais não derive de decisão alguma consciente ou intelectual, e sim que tenha origem em uma força invisível, natural, selecionadora de nossa própria evolução. Desta forma, faço minha as palavras de Frans de Waal, em seu livro “A era da empatia” (que recomendo fortemente a leitura):
“Reconheço que pode ser muito instrutivo examinar as relações humanas e sociais como se elas resultassem de um entendimento entre as partes. Isto nos ajuda a refletir sobre o modo como nos tratamos (e como deveríamos nos tratar) uns aos outros. É bom que se entenda, no entanto, que esta maneira de formular a questão é remanescente dos tempos pré-darwiniano e se baseia numa imagem totalmente equivocada de nossa espécie”.

Desde nossa origem que dependemos dos outros e que sempre existirão outros dependem de alguma forma de nós. Já em família, investimos muito tempo e recurso criando nossa prole, e a empatia é desde então, naturalmente uma característica também humana, juntamente com a agressividade, infelizmente acabamos dando maior destaque e valor ao nosso lado competitivo e agressivo, mas sempre fomos uma espécie social. A sociedade assim, não nasceu de nenhum compromisso formal, intelectual, e sim surgiu como uma força seletiva natural que nos levou a assim poder deixar mais descendentes, e desta forma podemos hoje aqui estar, eu você e todos os outros.

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